C O N P E L

Votação sobre extinção da escala 6×1 é suspensa na Câmara

Votação sobre extinção da escala 6×1 é suspensa na Câmara

CLT

Ana Luzia Rodrigues

16/04/2026 às 09:23

A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso (6×1) sofreu um revés temporário nesta quarta-feira. 

Durante sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, um pedido de vista coletiva apresentado pelos deputados Lucas Redecker (PSD-RS) e Bia Kicis (PL-DF) suspendeu a análise da matéria. Com a manobra, a votação do relatório foi adiada e ainda não possui uma nova data para retornar à pauta do colegiado.

O relator do texto, deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), já havia apresentado um parecer favorável à admissibilidade da proposta. Em seu voto, Azi sustentou que a medida é constitucional e que a regulação do tempo de trabalho é um dos pilares fundamentais da justiça social e da preservação da saúde e segurança do trabalhador brasileiro.

Leia também:

Equilíbrio econômico e transição

⚠️ ACESSO EXCLUSIVO
Você está perdendo conteúdos exclusivos
Acesso sem anúncios + conteúdos especiais e privados.
R$4,90
Teste por 30 dias • depois R$9,90/mês
LIBERAR MEU ACESSO AGORA
✔ Cancelamento fácil • Sem compromisso

Apesar do aval jurídico, o relator ponderou que o debate sobre a viabilidade econômica da medida precisa ser aprofundado. 

Azi recomendou que, caso a proposta avance, seja estabelecida uma fase de transição para permitir que diferentes setores da economia absorvam as mudanças sem traumas. Ele sugeriu ainda a discussão de possíveis compensações ao setor produtivo para viabilizar a implementação da nova jornada.

O parlamentar demonstrou preocupação com o “engessamento” que a constitucionalização do tema pode causar. Para ele, fixar regras rígidas na Carta Magna pode retirar a liberdade de setores específicos que possuem dinâmicas de trabalho diferenciadas. 

Azi defendeu que o ideal seria manter margem para que as definições de escala ocorram por meio de negociações coletivas entre sindicatos e empresas.

Próximos passos no Legislativo

Nesta fase inicial na CCJ, os parlamentares não discutem o mérito da proposta — ou seja, se a mudança é boa ou ruim na prática —, mas apenas se ela cumpre os requisitos legais e constitucionais para tramitar. 

Se o parecer de Azi for aprovado após o período de vista, será instalada uma comissão especial. Somente neste novo grupo é que o conteúdo será debatido detalhadamente antes de uma eventual votação no plenário da Casa.

Azi reforçou a necessidade de buscar um consenso que não coloque patrões e empregados em campos opostos. 

O deputado afirmou que ainda não discutiu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a possibilidade de continuar como relator na fase de comissão especial, mas reiterou que é imprescindível conciliar o bem-estar social com a saúde financeira das empresas que dependem de mão de obra intensiva.