O Governo do Brasil iniciou uma ampla campanha nacional para mobilizar a sociedade em torno do fim da escala 6×1 — modelo que prevê seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
A proposta, que traz o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito”, será veiculada em rádio, TV e meios digitais. Ela defende a transição para uma jornada que garanta mais tempo para o lazer, o convívio familiar e o descanso, sem que haja qualquer redução nos salários dos trabalhadores.
A iniciativa acompanha o envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional, com urgência constitucional, que visa reduzir o limite da jornada semanal de 44 para 40 horas.
A medida tem o potencial de beneficiar diretamente 37 milhões de brasileiros. Para dimensionar o alcance, o governo compara a ação à recente isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, que atingiu 10 milhões de pessoas.
O foco principal é a saúde pública e o bem-estar: em 2024, o país registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais ligadas ao ambiente laboral. Ao consolidar o modelo de cinco dias de trabalho para dois de descanso (5×2), o projeto busca frear o esgotamento profissional e reduzir as desigualdades, já que as jornadas mais exaustivas estão concentradas na população de menor renda.
Na prática, o projeto de lei assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece o novo limite de 40 horas semanais, mantendo o padrão de 8 horas diárias.
A proposta assegura dois dias de repouso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos sábados e domingos, embora a definição exata dos dias possa ser ajustada via negociação coletiva para atender às especificidades de cada setor.
O novo regramento abrange diversas categorias, desde trabalhadores domésticos e comerciários até atletas e radialistas, garantindo aplicação uniforme das regras.
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Contrariando o receio de prejuízos financeiros, estudos técnicos indicam que o mercado brasileiro possui fôlego para absorver a mudança. Uma nota técnica do Ipea aponta que o impacto nos custos operacionais da indústria e do comércio seria inferior a 1%, patamar semelhante aos reajustes históricos do salário mínimo.
Além disso, dados do Sebrae de 2026 mostram que 46% dos micro e pequenos empresários acreditam que a alteração não impactaria negativamente seus negócios. A visão moderna de gestão sugere que jornadas equilibradas aumentam a produtividade, reduzem a rotatividade de funcionários e diminuem o absenteísmo.
A reforma coloca o Brasil em alinhamento com uma tendência internacional de humanização do trabalho. Países vizinhos como Chile e Colômbia já iniciaram suas transições para jornadas reduzidas, enquanto na Europa, nações como França e Alemanha operam com cargas horárias inferiores às 40 horas há décadas.
Experiências recentes em países como Japão e Reino Unido demonstraram que a redução da escala não apenas mantém as receitas das empresas estáveis, como promove uma melhora significativa na saúde mental e física dos colaboradores, resultando em maior satisfação e engajamento com o emprego.