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Lavagem de dinheiro do PCC: Operação prende Deolane Bezerra e cumpre mandado contra contador 

Lavagem de dinheiro do PCC: Operação prende Deolane Bezerra e cumpre mandado contra contador 

Fique Sabendo

Ana Luzia Rodrigues

21/05/2026 às 14:10

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil. A ação visa desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). 

De acordo com as investigações, Deolane teria recebido repasses financeiros da facção por meio de uma empresa de transportes que atuava como braço financeiro do grupo criminoso.

Também sob investigação está o contador Eduardo Affonso Rodrigues, que é um dos alvos centrais dos mandados de busca e apreensão. A inclusão do nome do contador na lista de alvos de busca reflete o foco da investigação em mapear a engenharia financeira do grupo. 

O setor contábil é considerado peça-chave pelas autoridades para entender como recursos obtidos de forma ilícita ganhavam aparência de legalidade por meio de movimentações empresariais e patrimoniais. Agentes recolheram documentos e dispositivos eletrônicos nos endereços ligados ao profissional para analisar se realmente participou na estrutura deste esquema. Por enquanto, ele está sob suspeita.

Ramificações empresariais e alvos de prisão

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O esquema investigado baseava-se em uma transportadora de cargas de fachada, a Lopes Lemos Transportes (também conhecida como Lado a Lado Transportes), sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista. Segundo o inquérito, a empresa era controlada pela alta liderança da facção para escoar e ocultar ativos financeiros.

Além do mandado de busca contra o contador, a operação teve como principais alvos de prisão a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra e Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o chefe da organização criminosa. Marcola e seu irmão, Alejandro Camacho, que já se encontram detidos na Penitenciária Federal de Brasília, foram formalmente notificados de novas ordens de prisão preventiva dentro das celas.

A ação estendeu-se para o exterior com a prisão de Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, na Espanha, apontada como intermediária dos negócios familiares. Outro sobrinho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, que estaria na Bolívia, também é alvo de mandado de prisão por ser considerado o destinatário final dos valores lavados. 

No Brasil, Everton de Souza, conhecido como “Player” e apontado como o operador financeiro encarregado de direcionar os fluxos de dinheiro, foi preso. O influenciador Giliard Vidal dos Santos, filho de criação de Deolane, também foi alvo de busca e apreensão.

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A origem da Operação Vérnix remonta a 2019, quando agentes penais apreenderam manuscritos e bilhetes com detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os documentos faziam menção a planos de ataques contra servidores públicos e citavam uma “mulher da transportadora”. A partir desse fio condutor, investigações sucessivas revelaram que a empresa de logística funcionava como o verdadeiro braço financeiro do grupo.

Em 2021, a apreensão do telefone celular de Ciro Cesar Lemos — considerado o homem de confiança da liderança e atualmente foragido — revelou registros de depósitos bancários que ligavam o caixa da transportadora diretamente às contas de Deolane Bezerra e de Everton de Souza. Para os investigadores, a projeção pública da influenciadora e suas atividades comerciais legítimas serviam como blindagem para mascarar a origem do capital.

Ao decretar as medidas judiciais, a Justiça de São Paulo destacou a necessidade das prisões e das buscas, apontando o risco de ocultação de patrimônio, destruição de provas e fuga, além da sofisticação da rede econômica mantida pelo grupo.