Desde que a última Reforma da Previdência entrou em vigor em novembro de 2019, o governo já tinha em mente que essa seria apenas uma reforma paliativa para um problema que, ano após ano, se torna ainda maior.
E a prova disso são os números de 2025, onde a Previdência Social ultrapassou pela primeira vez em sua história R$ 1,03 trilhão em gastos com benefícios, número esse que representa 12% do PIB quando consideramos os diferentes regimes previdenciários.
Para compensar esses gastos, o Tesouro teve que desembolsar o equivalente a R$ 320,9 bilhões para cobrir o rombo de um problema que, anualmente, acaba se tornando um entrave para a saúde financeira do país.
Consequentemente, essa situação tende a nos levar para o mesmo caminho: a necessidade de uma nova Reforma da Previdência, que indiscutivelmente deve ser feita até o final do próximo governo.
Diferentes estudos, como o próprio estudo realizado pela Secretaria do Ministério da Previdência Social, relatam um quadro alarmante ao indicarem um déficit de proporções bilionárias para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Esses estudos deixam claro que as mudanças implementadas pela reforma de 2019 foram paliativas, sendo insuficientes para garantir a sustentabilidade e estabilidade financeira do sistema previdenciário brasileiro em uma perspectiva de longo prazo.
A diferença entre o que é arrecadado para pagar benefícios como aposentadorias e pensões está se tornando cada vez maior, com o governo federal tendo que cobrir um déficit da previdência do INSS de mais de R$ 320 bilhões somente no ano passado — R$ 17 bilhões a mais do que em 2024.
Com uma reforma que aconteceu há menos de três anos, problemas como a alta informalidade, envelhecimento populacional e benefícios indexados ao salário mínimo, esses três fatores reunidos pressionam diretamente as contas públicas e reascendem a discussão de uma inevitável nova reforma.
Contrariando a crença popular de que o INSS acaba significando uma ofnte lucrativa para os cofres públicos, a realidade nos mostra uma situação oposta, com a Previdência Social operando em um déficit substancial.
Com a Previdência Social rompendo a barreiro de gastos que ultrapassam R$ 1 trilhão quando considerados todos os regimes previdenciários, e o Tesouro tendo que desembolsar R$ 320,9 bilhões para cobrir o rombo, a projeção financeira para os próximos anos é ainda mais preocupante.
Existem estimativas que apontam que até 2060, o déficit previdenciário possa ultrapassar a absurda marca de R$ 3 trilhões. Com a população envelhecendo e um número cada vez menor de contribuintes, o déficit continuará a crescer, exacerbando a situação financeira já extremamente delicada.
Diante deste cenário, tem se tornado imperativo repensar em reformular as atuais regras da Previdência Social, de modo a possibilitar garantir de sustentabilidade de longo prazo.
Ainda que o governo não esteja falando abertamente sobre isso, inevitavelmente o Brasil não vai conseguir escapar de uma nova reforma da Previdência Social que necessariamente deve acontecer até o final do próximo governo, em meados de 2030.