Uma nova etapa na modernização tributária do país teve início com a disponibilização do Módulo de Apuração Nacional (MAN) no ambiente de testes da Nota Fiscal de Serviços eletrônica (NFS-e).
A ferramenta, que integra a estrutura do Sistema Nacional, já pode ser utilizada por municípios e contribuintes em caráter de piloto, permitindo a validação de regras fiscais antes de sua implementação definitiva.
O MAN foi desenvolvido para ser o cérebro da inteligência fiscal do sistema. De adesão voluntária, o módulo automatiza o processamento de notas fiscais, calcula os tributos devidos e gera as guias de recolhimento de forma centralizada.
O objetivo é garantir que as leis específicas de cada cidade sejam respeitadas, mas dentro de um fluxo padronizado que simplifica a rotina de conformidade.
A principal promessa do novo módulo é a simplificação operacional. Através da ferramenta, o contribuinte poderá selecionar múltiplas notas emitidas e consolidar o pagamento do ISSQN em uma declaração única.
Entre as funcionalidades principais, destacam-se a emissão do Documento Nacional de Arrecadação (DNA), que unifica os débitos, e a distribuição automática dos valores para cada município de destino.
Além disso, o sistema permite uma gestão eficiente de créditos. Caso a prefeitura autorize, os gestores municipais podem vincular benefícios diretamente aos contribuintes, que utilizam esses valores para abater o imposto devido ainda na fase de pré-apuração.
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Para as prefeituras, a adesão ao MAN exige atenção a normas coletivas. Ao optar pelo sistema, o município aceita as padronizações do Comitê Gestor, como os parâmetros para cálculo de juros e multas.
Os gestores locais devem configurar detalhadamente as alíquotas e regimes especiais no painel de parametrização para que o cálculo automatizado reflita fielmente a legislação de cada cidade.
Já para o setor produtivo, o Documento Nacional de Arrecadação traz mais previsibilidade. O vencimento será unificado nacionalmente e o sistema conta com integração para validar feriados municipais, adiando o prazo de pagamento automaticamente sempre que necessário. Atualmente, o valor mínimo para a geração da guia única foi estabelecido em R$ 10,00.
O fluxo de trabalho no módulo foi desenhado para ser ágil: assim que uma nota é emitida, ela aparece na tela de apuração em poucos segundos, agrupada por tipo de tributação e competência.
O sistema também prevê situações específicas, como o tratamento de sociedades de profissionais, onde o imposto é gerado após a vinculação de débitos específicos pelo gestor público.
Com a abertura deste ambiente de testes, a Receita Federal e os órgãos municipais esperam coletar retornos cruciais para ajustar a plataforma.
A ativação completa no ambiente de produção dependerá do sucesso desses pilotos e do cronograma de evolução tecnológica do sistema nacional, representando um passo decisivo para reduzir a burocracia tributária no Brasil.