A Receita Federal deu início, nesta segunda-feira (23), ao período de entrega da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026, referente ao ano-base 2025.
Os contribuintes brasileiros têm pouco mais de dois meses para organizar documentos e enviar os dados ao Fisco. O prazo final se encerra às 23h59 do dia 29 de maio, e a estimativa oficial é de que cerca de 44 milhões de declarações sejam processadas este ano.
Um ponto de atenção importante para esta temporada diz respeito à recente mudança na faixa de isenção. Embora a lei que desonera quem recebe até R$ 5 mil mensais já esteja em vigor desde janeiro, ela não se aplica ao ajuste atual.
Isso ocorre porque a declaração de 2026 olha para o passado, ou seja, para o que foi recebido ao longo de 2025, período em que as regras anteriores ainda eram válidas. Portanto, o novo teto de isenção só terá efeito prático na declaração a ser feita em 2027.
A obrigatoriedade de declarar atinge um público amplo e diversificado. Estão na mira da Receita aqueles que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 no ano passado ou que obtiveram rendimentos isentos e não tributáveis superiores a R$ 200 mil.
O cerco do Fisco também abrange investidores que operaram em bolsas de valores ou tiveram ganhos de capital acima de R$ 40 mil, além de produtores rurais com receita bruta anual superior a R$ 177.920,00.
No quesito patrimonial, quem possuía bens ou direitos que somassem mais de R$ 800 mil até o último dia de 2025 também precisa prestar contas. A lista inclui ainda novos residentes no país, donos de trusts no exterior e ganhadores de apostas de quota fixa que superaram o teto de R$ 28.467,20.
A entrega e transmissão, juntamente com as informações da declaração pré-preenchida, estarão disponíveis no endereço https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/meu-imposto-de-renda.
A Receita Federal anunciou uma medida inédita para o ciclo de 2026: a criação de um sistema de “cashback” do Imposto de Renda.
A modalidade foi desenhada para devolver, de forma automática, valores retidos de contribuintes que são isentos e que, por essa razão, acabam não entregando a declaração anual.
A estimativa do órgão é de que a novidade injete R$ 500 milhões na economia, beneficiando cerca de 4 milhões de pessoas.
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Para ter direito ao benefício sem a necessidade de enviar o formulário completo do IR, o contribuinte precisa preencher quatro requisitos básicos: não ter tido obrigatoriedade de entrega em 2025; possuir um valor de restituição de até R$ 1 mil; estar com o CPF em situação regular e apresentar baixo risco fiscal.
O pagamento será realizado em um lote especial, agendado para o dia 15 de julho. Segundo projeções do Fisco, o valor médio a ser devolvido a cada cidadão será de R$ 125, ajudando a formalizar a devolução de pequenos saldos que, em anos anteriores, ficavam retidos devido à complexidade do processo de declaração para o público isento.
O ponto central para a viabilização deste “cashback” é a tecnologia. A Receita Federal informou que o depósito automático só ocorrerá para quem possui a chave Pix vinculada ao número do CPF. Essa medida visa garantir a segurança da transação e a certeza de que o valor chegará ao titular correto.
Caso o contribuinte se enquadre nas regras, mas não possua a chave Pix ativa, ele terá duas alternativas: criar o vínculo da chave em sua instituição bancária ou, se preferir, realizar a declaração de ajuste anual de forma voluntária para informar manualmente os dados da conta onde deseja receber o crédito.
O preenchimento correto e o envio dentro do prazo são fundamentais para evitar prejuízos financeiros. O contribuinte que atrasar a entrega estará sujeito a uma multa mínima de R$ 165,74.
Em casos onde há imposto devido, a penalidade pode ser bem mais severa, chegando a 20% do valor total do imposto, conforme estabelece a legislação vigente.
Especialistas recomendam não deixar o envio para os últimos dias, evitando possíveis sobrecargas no sistema e garantindo tempo hábil para correções em caso de inconsistências.