A tramitação do projeto de lei que propõe a ampliação do limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) deve ganhar celeridade na Câmara dos Deputados. A estratégia para impulsionar a pauta envolve a criação de uma comissão especial, estrutura que permite concentrar esforços técnicos e políticos para aprofundar o debate antes da votação definitiva.
Em março, a proposta recebeu regime de urgência, o que possibilitaria o envio direto ao plenário. No entanto, a instalação do colegiado é vista como um passo estratégico para reunir especialistas e representantes do setor produtivo, garantindo uma análise mais detalhada sobre os impactos da medida na economia formal.
O texto principal prevê a elevação do teto de faturamento do MEI dos atuais R$ 81 mil para até R$ 130 mil por ano. Além do ajuste financeiro, a proposta autoriza que esses empreendedores realizem a contratação de até dois funcionários, dobrando a capacidade de geração de empregos formais permitida atualmente para essa categoria.
Caso seja aprovada pelos deputados, a matéria retornará ao Senado, onde a tramitação teve início, para a análise das alterações realizadas na Câmara.
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A mobilização em torno do projeto reflete uma demanda histórica de entidades representativas do comércio e da indústria. O argumento central é que os limites de faturamento do Simples Nacional estão congelados há cerca de sete anos, período em que a inflação acumulada reduziu a margem de manobra dos pequenos negócios.
Atualmente, o enquadramento tributário segue as seguintes faixas:
O setor produtivo defende que o teto para o MEI seja reajustado para aproximadamente R$ 145 mil, com correções proporcionais para as demais categorias. A falta de atualização é apontada como um risco para a sustentabilidade dos negócios, podendo forçar empresas a migrar para regimes tributários mais complexos e onerosos ou, em casos extremos, para a informalidade.
A criação da comissão especial é interpretada como uma resposta à dinâmica real da economia. Avalia-se que o crescimento do faturamento de muitos pequenos negócios nos últimos anos não decorreu necessariamente de uma expansão estruturada, mas da variação de preços e custos.
A atualização dos limites é defendida como uma medida necessária para garantir a justiça econômica, fortalecer a formalização e incentivar o crescimento de milhões de empreendedores que sustentam a economia nacional.